Aviões elétricos são o destino do paraquedismo?

Já pensou em praticar paraquedismo de aviões elétricos?

Nos últimos anos, diversas empresas ao redor do mundo estão se esforçando para criar aviões elétricos. Iniciativas ecológicas estão presentes em muitas coisas do nosso dia a dia. Ter a oportunidade de escolher opções sustentáveis de energia está se tornando cada vez mais popular. E por uma boa razão!

Aviões elétricos podem diminuir a poluição

Além disso, muitos de nós estão cientes do elevado nível de gás carbônico que liberamos na atmosfera. Se pudermos escolher entre opções mais sustentáveis em termos de energia, podemos assumir a responsabilidade de tomar decisões mais ecologicamente corretas.

Então, os aviões elétricos é o próximo passo significativo nas opções de transporte ecologicamente corretos. Embora não esteja muito próximo, essa iniciativa está progredindo. Então, o que isso pode significar para a indústria do paraquedismo? Podemos usar aviões elétricos no paraquedismo?

IMPACTO AMBIENTAL DA AVIAÇÃO

No entanto, poucas pessoas param para pensar sobre o impacto de um avião em nosso meio ambiente. Para mim, o paraquedismo era apenas um esporte de queda livre imensamente divertido até que comecei a acompanhar a alta nos preços dos combustíveis que também acaba afetando a aviação e me deparei com uma notícia sobre um Cessna Caravan elétrico.

Ainda mais que todas as aeronaves regulares emitem gases de efeito estufa em diferentes estágios do voo. Assim como também cria uma forma única de distribuição desses gases diretamente para os níveis mais elevados da atmosfera. Esses gases contribuem para as mudanças climáticas.

Aviões elétricos paraquedismo

Por exemplo, o barulho do avião também é uma forma de poluição. Todo som indesejado é considerado poluição sonora. Se o barulho está causando alguma reação humana adversa, podemos considerá-lo poluição sonora. Podemos encontrar análises de impacto de ruído em áreas próximas a aeroportos e áreas de salto. Os mapas que mostram o nível de barulho de uma região são conhecidos como Mapas de Ruído. O aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, foi o primeiro do Brasil a implantar um sistema de monitoramento de ruído em 2014.

A qualidade do ar é outro ponto que podemos pensar quando falamos sobre a diferença que um avião elétrico tem em relação ao avião comum que usamos hoje. Os aeroportos têm diferentes obrigações para monitorar e relatar a qualidade do ar. Os poluentes primários monitorados são o dióxido de nitrogênio (NO2), os óxidos nítricos (NO) e as partículas (PM).

Mapa de ruído
Mapa de ruído do aeroporto de Ibiza

AVIÕES ECOLÓGICOS E PARAQUEDISMO

No entanto, como paraquedistas podemos ou não estar cientes do impacto de nosso esporte no meio ambiente. Cada vez que o avião de decola com uma “load”, há emissões liberadas para o meio ambiente. Todavia, alguns descobriram a matemática. Dependendo da aeronave usada no paraquedismo, eles podem calcular as emissões de carbono de cada paraquedista para aquele salto individual. Ao ouvir isso, acabo me sentindo um pouco culpado pelo impacto que tenho no meio ambiente devido a minha prática de paraquedismo. Embora saber disso não signifique que precisamos parar de saltar.

Paraquedismo e aviões elétricos

A princípio, é aqui que entram os aviões ecológicos. Os aviões elétricos ajudam a reduzir as emissões de carbono. Agora parece que o futuro do nosso esporte pode ser um lugar com opções mais ecológicas. Aviões elétricos podem ser escolhas mais limpas e de baixo custo para aeronaves de lançamento. E então, em relação ao paraquedismo, a ideia é que os aviões elétricos acabariam gerando uma economia nos custos de combustível de uma DZ. Como resultado, os valores para fazer um salto podem ser potencialmente mais baratos.Assim como a aeronave produziria menos ruído, menos vibração e nenhum cheiro de combustível (é, eu sei, você também é viciado naquele cheiro de querosene do embarque).

PALAVRAS DE ESPECIALISTAS

Em 28 de Maio de 2020, o Cessna Grand Caravan, um dos aviões mais usados no paraquedismo, se tornou o maior avião elétrico da atualidade realizando inclusive um voo de teste que durou cerca de 30 minutos.

Desenvolvido em parceria pela magniX, empresa focada na aviação elétrica, e a AeroTEC, uma empresa independente de testes, engenharia e certificação aeroespacial, o voo experimental ocorreu com sucesso, se tornando ainda o maior avião elétrico testado até o momento.

Gran Caravan elétrico

O Caravan recebeu o motor magni500 de 560kW, que permite o avião voar a uma velocidade de até 100 nós (182 km/h) com alcance de 160 km, mantendo a capacidade de transporte de 9 passageiros padrão do avião. Segundo o CEO da magniX, Roei Ganzarski, os aviões elétricos terão um custo operacional 40% ou 70% menor por hora de voo, e ele espera que o eCaravan seja homologado para voo comercial até 2022.

Claro que isto ainda está longe do que o paraquedismo precisa, principalmente levando em conta que o Grand Caravan usado no paraquedismo passa por modificações para levar mais peso e ter mais potência, mas só desse modelo estar se tornando o primeiro grande avião elétrico já é algo animador.

O canal Aero Por Trás da Aviação fez um ótimo vídeo sobre o teste do eCaravan e outros aviões elétricos que já estão voando por aí, vale a pena conferir.

PARAQUEDISTA ELÉTRICO

Apesar da aviação elétrica ainda estar dando seus primeiros passos, os paraquedistas não perdem tempo, em 2020, o paraquedista Raphael Domjan se tornou o primeiro a realizar um salto de um avião elétrico.

O salto aconteceu na Suíça, depois do avião atingir os 1.520 metros (cerca de 5000 pés), o paraquedista atingiu a velocidade de 150 km/h e pousou bem.

Paraquedismo em avião elétrico

A equipe SolarStratos responsável pela aeronave, também estuda e investi em aviões elétricos, o avião usado neste salto foi um protótipo que é propulsionado por uma hélice ligada ao motor elétrico com capacidade para apenas dois passageiros (e um se jogou do avião em pleno voo). O teste foi considerado um sucesso e a empresa tem planos de em 2022 realizar voos atingindo até 20 mil metros e com um avião com maior capacidade de passageiros.

Veja o vídeo do salto.

CONCLUSÃO

Pessoalmente, acredito que o aviões elétricos serão perfeitos para o paraquedismo, podendo até ser a porta de entrada desses aviões no mercado, já que no esporte os aviões fazem muitos voos, mas todos de curta duração, sendo um ótimo caso para estudo de melhorias da tecnologia.

Nesse sentido, a corrida por meio de transportes movidos a energia elétrica que buscam diminuir o problema da poluição do meio ambiente vai colocar um fim (ou quase fim) no uso dos combustíveis fósseis. O uso de energia elétrica nos meios de transporte tem um outro objetivo que é o de baratear os custos para o consumidor final, e no paraquedismo não seria diferente.

Paraquedismo e o problema financeiro

Mas temos que ter calma e paciência, diferente dos automóveis onde a tecnologia já está mais avançada (a Tesla que o diga), aplicar esta mesma tecnologia nos aviões é muito mais complexo, mas não impossível, e muitos especialistas da indústria da aviação vem falando há algum tempo que o futuro será dos aviões elétricos e o paraquedismo poderá se beneficiar disso.

Apesar de muitas áreas de saltos estarem localizadas em regiões onde o sol predomina, vejo que o maior problema a ser enfrentado (principalmente aqui no Brasil), seria a estrutura necessária para carregamento das aeronaves, além da manutenção que inicialmente seria cara e complicada já que os mecânicos ainda estariam aprendendo com a nova tecnologia.

Mas futuramente acredito que estaremos decolando em um Grand Caravan elétrico rumo a 12.000 pés relembrando os antigos aviões com comentários do tipo: “nossa, que saudades do cheiro de querosene” ou “se eu já dormia com o barulho do antigo Caravan, imagina nesse silencio do elétrico”.

Estrutura utilizada no CNP em Boituva

Apesar disso, não sou especialista em aviação, apenas um paraquedista com otimismo de melhorias no esporte, seja financeiro ou em conforto e segurança. Enquanto o futuro não chega, nos basta continuar se divertindo a cada salto e daqui alguns anos veremos se este artigo estava certo ou foi apenas uma viagem de otimismo.

Blue Skies!

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SOBRE O AUTOR

Diego Rodrigues

Fundador e administrador da SkyPoint Paraquedismo

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