Encontrando o velame perfeito

Neste artigo Pete Allum discute fatores a serem considerados para encontrar seu velame ideal. Ele dá exemplos de sua própria progressão de velame e as escolhas atuais de alguns outros paraquedistas, com suas razões.

Caroline e seu velame Sabre 170.
Esta é Caroline, sob um Sabre 170; ela tem placa no tornozelo devido a uma lesão, então pousos suaves são imperativas.

PROGRESSÃO DA PRANCHA DE SURF

Permita-me explicar algo que aconteceu na cultura do surf na década de 1990: durante os anos 60, 70 e 80, o design das pranchas passou por mudanças rápidas e radicais, então, nos anos 90, os melhores surfistas de competições começaram a usar as pranchas mais finas e leves possíveis. Isso era sublime se você estivesse surfando boas ondas e tivesse a habilidade necessária, mas para a maioria de nós, essas pranchas tornavam muito difícil pegar uma onda. Montá-las parecia mágico por breves momentos, mas esses momentos eram geralmente desperdiçados comigo e acabei engolindo mais água do mar do que pegando onda.

Velame Pintail 144.
Ganhei este velame, um Pintail 144 no Campeonato Nacional de Precisão Sul-Africano de 91. Eu amei! Uma grande mudança de direção comparando a outros velames da época, mas como o Excalibur, sofreu por não ter o material certo para esse tipo de competição. Perdi este velame depois de fazer muitos saltos, ainda está em um pinheiro de 70 pés em algum lugar perto de Gap, se alguém quiser.

PROGRESSÃO DE VELAME

OK, agora voltando para o nosso esporte…

Nos anos 70, quando comecei a saltar, a progressão geral de velames era através de qualquer coisa que você pudesse colocar em suas mãos, era um pedaço de lixo redondo de velame ou algo com mais de 200 pés quadrados. Então, durante os anos 80 e 90, fomos inseridos lentamente as asas progressivas, que nunca ficavam abaixo de 100 pés quadrados. No final dos anos 90, o mundo do paraquedismo foi presenteado com as asas que marcaram o início da tendência atual e nos levaram ao Valkyrie, Leia, Petra, Peregrine etc. Esses velames foram projetados para oferecer desempenho máximo para pilotos bem qualificados.

O paraquedista ideal para um velame de alto desempenho de última geração é alguém que passou algum tempo com velames maiores e mais dóceis e expressa o desejo de ir além com seu voo. Esses pilotos são “descolados” e discutirão alegremente sobre velames, densidade relativa do ar, pouso no alvo, taxas de planagem e arcos de recuperação a noite toda na sede de melhorar seus conhecimentos e desempenho. Esses paraquedistas procurarão treinadores, participarão de campos de treinamento e, ao longo do caminho, farão muitos milhares de saltos em busca de maior desempenho. Quando você olha para uma postagem no Instagram de um desses pilotos, vê imagens alucinantes, mas não tem ideia do trabalho e do tempo gastos para chegar a esse nível.

Então, como decidimos qual velame é bom para nós?

Velocity 84.
Eu tenho mais de 10.000 saltos em um Velocity [84 na foto, de 2000] e devo dizer que eles foram inigualáveis por muuuuito tempo! Até hoje eu consigo que meus alunos dominem o Velocity antes mesmo de pensar em uma plataforma de asa Schumann, há muito o que aprender com essa asa incrível. Recentemente, coloquei meu Velocity Comp 79 no meu Mutant, foi uma alegria voar e me familiarizar novamente.

QUAL É A SUA REFERÊNCIA?

Como você é no quesito pessoa, seu caráter e personalidade? Isso pode parecer uma questão esotérica na busca pelo velame ideal, mas pense em como você gosta de dirigir um carro; você dirige um carro esportivo de desempenho até seus limites ou gosta de navegar confortavelmente, ou talvez goste de ambos? Você se considera ágil ou desajeitado, é um paraquedista mais velho, sofreu uma lesão ou ganhou ou perdeu muito peso recentemente?

Agora, olhe a sua história no paraquedismo, quantos saltos você tem e em que período de tempo, em quais velames, como foi sua progressão até este ponto, você teve treinamento de velame?

Você tem 65 quilos ou tem 125 quilos? Se você é leve, você pode ter sido forçado a voar com asas muito pequenas, muito cedo, no entendimento equivocado de que os velames diminuem uniformemente, na verdade um velame menor, mesmo com a mesma carga alar, será mais sensível a muitos comandos.

A maneira como uma asa funciona é totalmente baseada na física e na aerodinâmica, mas percebemos seu desempenho por trás da nossa referência, nossas preconcepções e nosso nível de habilidade.

Peregrine 64.
Peregrine 64, minha escolha para XRW ou competições de swoop.

O QUE VOCÊ ESTÁ PROCURANDO EM UM VELAME?

Se você deseja se especializar em uma determinada disciplina e já possui alguma experiência, essas escolhas podem ser um pouco mais fáceis. A maioria dos bons fabricantes de velames oferecem asas para cada especialidade e você pode olhar para os líderes em sua disciplina para entender qual pode ser a melhor asa para você.

Nesse ínterim, existem velames intermediários e cargas alares que podem oferecer uma introdução ao modo como uma determinada asa funciona; um treinador/mentor respeitável pode guiá-lo pelo labirinto.

Abertura

Ao olhar para diferentes velames, muitos de nós assumimos que todos irão abrir suavemente e na proa, no entanto, o desempenho de um velame também pode ter um efeito indireto em relação ao seu comportamento na abertura. Por exemplo, um velame que tende a girar facilmente será mais sensível a uma posição irregular do corpo na abertura, assim como uma asa menor com carga alar maior.

Esta é a razão pela qual os praticantes de wingsuit mais sensatos preferem velames que carecem do desempenho de ponta e já os praticantes de swoop optam por carga alar de uma asa mais leve e menor para que possam voar a maior área possível.

Em qualquer caso, certifique-se de prestar total atenção na abertura e oferecer ao velame a melhor posição possível. Confira este artigo.

Valkyrie 75.
Valkyrie 75, este é o meu velame do dia-a-dia, desde big ways até cross country, até treinamento, eu tenho o maior número de saltos sob este velame e me sinto realmente em casa, minha carga alar é 2.3.

Desempenho

Você pode estar no estágio de sua progressão em que precisa construir bons hábitos à medida que sua consciência aumenta constantemente e você tenta não ser um perigo para os outros (objetivo para vida toda!).

Sua taxa de descida ou carga alar deve ser gerenciável para você planejar sua aproximação e pouso, dando-lhe tempo suficiente em cada ponto (A, B e C) para perceber o que está acontecendo, em relação ao seu alvo, além de você também precisar de tempo para reagir a outro velame próximo.

“Usar uma asa menor só vai agravar o problema, dando a você menos tempo navegando com o velame.”

Uma preocupação para os paraquedistas mais novos que estão saltando com uma carga alar de 1.0 ou menor é que eles podem não conseguir saltar em certas condições de vento. Se você se sentir desconfortável saltando sob um velame maior à medida que o vento aumenta, provavelmente você deve ficar no chão. Saltar com uma asa menor só vai exacerbar o problema, dando a você menos tempo voando com o velame e enquanto espera até que você consiga ir para a área positiva!

Isso não quer dizer que você não pode saltar com um velame com uma carga alar maior com ventos fortes, você só precisa entender como e onde voar o velame. À medida que sua experiência aumenta nesses velames, você aprenderá a voar em condições variadas.

Allegra e seu velame Sabre 2 150.
Esta é Allegra, que salta em pequenas e remotas áreas de pouso em todo o mundo. Ela escolheu o Sabre 2 -150 com base em conversas com instrutores de velame, por seu desempenho geral e excelente flare. Eu também estava saltando com um Sabre 2 -150. Costumo saltar com Sabre 2 – 135, 150, 170 e 190, dependendo do que meu aluno irá realizar no salto.

Eixos de Controle

Os eixos de controle são aqueles três eixos no qual o voo livre de uma asa se desenrola. Os eixos são os seguintes: Eixo lateral (Pitch), eixo vertical (Yaw) e eixo longitudinal (roll). Daqui pra frente iremos usar os termos em inglês: Pitch, Yaw e Roll para facilitar.

  • Pitch: é a mudança de ângulo em uma linha reta, por exemplo, flare para pouso ou usando os tirantes dianteiros para mergulhar. Esta é uma entrada simétrica. Alguns velames têm um ângulo mais acentuado e mantêm o mergulho por mais tempo, alguns se recuperam mais rapidamente.
Eixo pitch.
  • Roll: é a mudança do ângulo de inclinação, por exemplo, uma curva com batoques. Alguns velames viram mais facilmente do que outros e são mais fáceis de pilotar com o harness.
Eixo roll.
  • Yaw: é a mudança de direção, por exemplo, um flat turn. Alguns velames são fáceis o suficiente para fazer flat turns, alguns são mais desafiadores para evitar que girem.
Eixo yaw.

Lembre-se de que, com qualquer alteração no eixo roll e yaw, você também obtém uma alteração no pitch.

Embora todos nós comecemos a guiar o velame com os batoques, você aprende muito rapidamente a usar alternativas, por exemplos o corpo e os tirantes. Se você pode aprender este controle em uma asa mais leve, você é forçado a explorar completamente as técnicas corretas para fazer o velame voar com eficiência.

Se você diminuir o tamanho do velame muito rápido, o velame pode fugir de você e você pode facilmente se encontrar perto do chão ou próximo a outros velames com mais velocidade e uma razão de descida maior do que você é capaz de controlar.

Se você deseja aumentar ou alterar o desempenho de sua asa, tente outro tipo de velame com a mesma carga alar ou com uma carga alar mais baixa, a regra básica é nunca reduzir o tamanho do velame e alterar o seu modelo em uma etapa única.

“Nunca reduza e mude o tipo de velame de uma única vez.”

Sabre 2 - 120.
Aqui está uma foto do Navdeep e eu, ambos no Sabre 2 -120. Ele escolheu isso porque realmente quer aprender a se tornar um piloto de velame de competição no futuro, o Sabre 2 com suas características de voo é um bom passo no processo de aprendizado antes de voar em algo mais agressivo como uma Katana.

Pousos

Sim, alguns velames são mais fáceis de pousar do que outros, porém com a técnica correta você pode fazer todos eles funcionarem (hoje em dia – nem sempre foi assim). Não nascemos com essa habilidade, é uma habilidade e algumas pessoas aprendem mais rápido do que outras. Não deixe que as pessoas digam que você não tem habilidade para pousar um velame corretamente, às vezes falta apenas treinamento e experiência.

Tamanho do Equipamento

Muitas pessoas me dizem que o motivo pelo qual estão procurando reduzir o tamanho do velame é que desejam saltar com um equipamento menor ou mais leve. Não faça disso o fator decisivo, por exemplo, se você quiser fazer mergulho, provavelmente não levaria um cilindro de ar menor porque é menos pesado.

Além disso, a diferença de peso entre um equipamento de 190 pés quadrados e um de 150 pés quadrados é de apenas 1,2 quilos.

Existem alguns velames excelentes no mercado que possuem tamanhos de dobragem menor se você estiver procurando por um container um pouco menor, sem a necessidade de reduzir o tamanho.

Daniel e seu velame Horizon.
Daniel escolheu o Horizon 7-celúlas porque foi projetado para abrir suavemente na bolha do wingsuit, divertido de voar e um pequeno na hora de dobrar.

CONCLUSÃO

Se você não consegue voar e pousar confortavelmente com o velame que está voando atualmente e está pensando em diminuir: Pense novamente! Em primeiro lugar, pergunte a um instrutor reconhecido qual é o tipo correto de velame para você e então descubra se você está voando e pousando com a técnica correta.

Por favor, não faça o processo de redução de tamanho do velame. Descubra, com a ajuda de um instrutor, que tipo de asa você deve saltar e, em seguida, a carga alar correta para seu objetivo e sua habilidade.

Quando aprendemos a dirigir, a maioria de nós não tenta imediatamente entrar no carro mais rápido e na estrada mais rápida. A menos que estejamos planejando competir, tendemos a dirigir veículos muito semelhantes aos que aprendemos. Imagine uma rodovia descontrolada, sem faixas, semáforos, rotatórias e poucas regras, cheia de novos pilotos em Ferraris… parece um céu cheio de gente com menos de 1000 saltos em Valkyries e Leias!

Lesley e seu velame Stiletto 120.
Esta é a Lesley, ela adora big way e escolhe o Stiletto 120, por suas aberturas na proa e pousos fáceis mesmo a favor do vento. Não é faminto por solo, então combina com seu estilo de voo, com bastante tempo para verificar o tráfego do velame.

Blue skies!


REFERÊNCIAS:

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